Isabelle, eternamente

 

Em meados dos anos 70, me apaixononei por duas mulheres ao mesmo tempo: Miou-Miou e Isabelle Huppert. Eu devia ter uns 15 ou 16 anos, e elas eram mais velhas: Isabelle tinha 21, e Miou-Miou tinha 24. Ambas estavam no elenco de "Corações loucos", de Bertrand Blier, rodado em 1974. Não lembro exatamente onde assisti ao filme (provavelmente no Vogue ou no Bristol), mas tenho certeza que tive um sono agitado naquela noite. O enredo do filme: duas mulheres maravilhosas fazendo o que lhes dava na telha. No elenco – e que elenco! – ainda estavam Gerard Depardieu, Patrick Dewaere e Jeanne Moureau.

 

Em apenas mais um filme me apaixonei duplamente: "Bonecas que matam" (1967), de Ralph Thomas, em que Elke Sommer e Sylvia Koscina eram assassinas. Desejei que elas me matassem também, mas infelizmente isso não aconteceu.  O problema é que "Bonecas que matam" é um filme bobo, em que apenas Elke e Sylvia valem a pena, enquanto "Corações loucos" era uma espécie de resumo do que, em meados dos anos 70, nossa ingenuidade esperava do amor: absoluta liberdade, zero de ciúmes e que a sociedade se dane se não gostar.

 

Muito tempo passou, muita coisa mudou, nossa ingenuidade deu lugar a coisas mais concretas, mas, você sabe, certas paixões a gente sempre guarda. Por isso estou ansioso para fazer o debate sobre o documentário "Isabelle, eternamente atriz", de Serge Toubiana, que acontece amanhã (dia 1/3), no Cine Sanander, às 19h. Eu e a Patsy Cecatto vamos falar sobre o filme, sobre essa mulher maravilhosa e sobre paixões que não acabam nunca, como a de Isabelle pelo cinema e pelo teatro, e como a minha pela própria Isabelle. 

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