Questões de Honra

Vendo o Woody Allen com sua esposa oriental em Cannes, ele simpático, ela muito sorridente, lembrei como esse conturbado romance começou. Filha de criação da atriz Mia Farrow, sua companheira na época, Soon Yi envolveu-se com o Woody quando ainda era muito jovem. Um escândalo nova-iorquino, quando foram descobertas pela mãe as fotos que o cineasta tirou da enteada nua. Casamento desfeito, só havia uma forma de Allen salvar sua honra e a da jovem, aos olhos da preconceituosa sociedade norte-americana: casar com a garota. Foi isso que ele fez, possivelmente orientado por um bom advogado.
 
Os ianques não depuseram seu presidente quando ele foi descoberto fazendo sexo oral com a jovem estagiária, mas padastro com enteada, dentro de casa, (embora Allen morasse do outro lado do Central Park), foi muito forte. Hoje ela não é mais uma adolescente sexy, é mais uma senhora bem cheinha. Os dois parecem felizes para sempre e ele continua fazendo ótimos filmes (Match Point, por exemplo).
 
É velho como a terra o gosto dos homens, principalmente os idosos, por meninas, mas o caso de Roman Polansky é ainda mais complicado, porque envolveu drogas e álcool. Tendo dopado  uma menina de 13 anos e transado com ela (ou ela pode tê-lo dopado?), Polansky foi castigado com uma prisão domiciliar e está gastando os tubos tentando se livrar. Se eu fosse mãe ou familiar da menina, ia querer que ele continuasse trancado dentro da sua própria casa. Mas, ao mesmo tempo, fico com pena do Polansky, porque ele foi testemunha do assassinato cruel de sua maravilhosa mulher Sharon Tate, pelo diabólico Charles Manson. Polansky  não poderia sair ileso dessa. Tinha direito de fazer umas besteiras na vida, pelo tanto que passou. Ele tem que estar livre para fazer outros filmes tão bons como "Ghost writer", coisa rara no cinema mundial, onde nunca se produziu tanto lixo em série.
 
Quem não deveria mexer em questões de honra, principalmente de honra muçulmana, é o Sarkozy. Essa lei que entra em outubro, proibindo as muçulmanas de usarem burca, pagando 150 euros de multa, vai dar muito rolo para os franceses. É uma lei burra que não leva a nada, além de conseguir a simpatia da direita  francesa para  o governo atual, considerado fraco pelos eleitores. Seria o mesmo que obrigar as brasileiras da Assembléia de Deus a cortarem os seus longos cabelos. É uma questão muito mais profunda, da competência dos árabes, que morrem de medo que as suas lindas mulheres sejam roubadas. Desvelar as mulheres só vai acontecer aos poucos, com as gerações mais jovens sendo educadas. Proibir é besteira. É como cutucar um abelheiro. Só que os ferrões islâmicos costumam ser explosivos, principalmente depois dessa catástrofe israelense do tiroteio no navio de mantimentos para a faixa de Gaza. E o conflito continua.

 
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