BIO – O Filme: Diário de Filmagem #22

Apesar de ser apenas um cenário, era um cenário de grandes proporções, abrigando três entrevistas. E a diária foi longa. Para a equipe de arte e produção, começou às 6 da manhã. Para mim, às 10. E mesmo assim estou cansado. Trabalhar num set é uma combinação de esforço físico (estamos sempre trocando de lugar, conversando e manipulando ferramentas) e desgaste psíquico, que talvez seja o mais importante. Não é mole manter a concentração no que é realmente essencial circulando entre muitas pessoas e no meio de várias atividades paralelas. Eu, como diretor, penso que a minha maior atenção deve estar com os atores e a câmera. Neste filme, em que a câmera não se movimenta muito e temos equipes de arte e fotografia muito afinadas, fico 80% do tempo envolvido com a interpretação.

Começamos filmando o Mateus Almada. Eu o vi pela primeira vez num curta lá do TECCINE/PUCRS chamado “Água”, dirigido pela Giulia Góes (que também é atriz em BIO). O Mateus lembra um pouco aqueles galãs da nouvelle-vague francesa dos anos 60 e não faria feio num filme do Goddard ou do Truffaut. Em BIO, ele faz o irmão mais velho do nosso protagonista. Depois do almoço, foi a vez da atriz Luísa Horta, que faz a irmã “do meio”. A Luísa está se formando em teatro pela UFRGS, mas continua com jeito de adolescente, o que foi ótimo para seu personagem, uma menina de 17 anos que sonha em ir ao seu primeiro baile de Carnaval, lá por 1961. Mateus e Luísa são exemplos de como o Rio Grande do Sul está revelando jovens talentos para a dramaturgia.

Finalmente, foi a vez do João Pedro Alves. Eu já tinha feito alguns trabalhos pequenos com ele e tinha certeza que desempenharia bem seu papel: um jovem que vai fazer vestibular e é auxiliado pelo nosso protagonista a melhorar seu desempenho em Matemática. O João tem sorriso fácil, um cabelo de impor respeito e muita malandragem no olhar. Seu personagem tem 26 falas, algumas bem complicadas. E, como ele naturalmente se mexe bastante, várias vezes tivemos que repetir por problemas de foco. Demoramos quase duas horas para encerrar sua cena. No final, estávamos exaustos, mas felizes. Agora só faltam duas diárias!

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