Diretora fala de ‘A Nuvem Rosa’ que concorre em Sundance

Filme sobre confinamento foi concluído antes do contexto da pandemia

Iuli Gerbase Foto: reprodução

Por MYRNA SILVEIRA BRANDÃO

Publicado 05, Jan, 2021, 10:01

Como já noticiado, “A Nuvem Rosa”, da diretora gaúcha Iuli Gerbase, concorre ao prêmio de melhor drama estrangeiro no Festival de Sundance que começa no próximo dia 28 e neste ano será híbrido: em sua maior parte online, com algumas poucas sessões presenciais em locais predeterminados.

O filme é sobre o relacionamento de um casal durante um bloqueio obrigatório. Uma nuvem tóxica ao redor do mundo obriga todos a ficarem confinados em casa. O impressionante é que o filme foi finalizado meses antes do isolamento social imposto pela covid-19.

Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO BRASIL, Iuli falou sobre o filme, a incrível e involuntária analogia com a pandemia e o significado de participar do maior festival do cinema independente mundial.

Cena de A Nuvem Rosa (Foto: Foto: divulgação)

O que representa pra você e para o filme a seleção oficial para a competição na mostra Cinema Mundial em Sundance?
Eu e a equipe ficamos muito felizes quando soubemos que o filme entrou em Sundance. Sentimos que nosso trabalho e esforço foram recompensados com essa ótima notícia. Foi uma produção com uma equipe pequena e afetuosa que se dedicou muito a fazer o melhor filme possível, então ficamos muito gratos e animados em saber que o filme vai circular em um festival tão prestigiado.

Sundance é conhecido por privilegiar filmes inovadores, criativos e fora do convencional como é o caso de “A Nuvem Rosa”. Isso pode ter influído na seleção?
Acho que “A Nuvem Rosa” se destaca pelo elemento surrealista que o envolve, com a nuvem tóxica rosa que confina os personagens por anos. Não é um filme de ficção científica tradicional, pois o foco é na relação do casal no meio desta situação absurda em que se encontra. A luta é pela adaptação e sanidade mental, não pela sobrevivência física que vemos em alguns filmes pós-apocalípticos. A ideia era fazer um filme íntimo e sensível, focado em personagens.

O filme foi editado antes, mas é quase impossível não pensar nessa incrível coincidência com a pandemia. Como é essa sensação de, sem querer, praticamente projetar o futuro?
O começo da pandemia, que já foi estranho e surreal por si só, para mim e para a equipe teve um elemento extra: a sensação de “Peraí, filmamos o futuro sem querer? O que está acontecendo?” A cada semana, pessoas me mandavam notícias que remetiam a cenas que filmamos, o que gerava uma certa ansiedade. Agora, meses depois, já estamos acostumados com as coincidências.

E qual reação acha que isso provocará no público?
Acho que as pessoas vão se enxergar no filme, seja no personagem da Giovana, do Yago, ou se ambos. Eu, por exemplo, me sentia como um ou como outro, dependendo do dia. Espero que o filme possa ajudar alguns a processar emoções vivenciadas nessa pandemia, o que é um dos poderes do cinema.

Os festivais online têm um lado positivo de mais pessoas terem acesso aos filmes. Você acha que com o fim da pandemia pode haver uma tendência de continuidade?
O aspecto democrático que surge com as exibições online é ótimo, já que os festivais presenciais têm um número restrito de participantes. Porém, espero que sempre seja possível no futuro termos uma forma híbrida, porque o contato pessoal é muito importante, tanto pela experiência única de ver um filme no cinema, como pela troca enriquecedora que os realizadores podem fazer nos festivais.

Source: https://www.jb.com.br/cadernob/2021/01/1027480-diretora-fala-de-a-nuvem-rosa-que-concorre-em-sundance.html

Share

More News

Filmes brasileiros dirigidos por mulheres se destacam no início da temporada de festivais

Para a ‘Variety’, safra de 2021 pode ser vista como ‘nova onda feminina brasileira’ Carlos Helí de Almeida, especial para O GLOBO 18/01/2021 – 04:30 / Atualizado em 18/01/2021 – 10:27 Foi a diretora Anita Rocha da Silveira quem primeiro deu o toque na produtora mineira Vânia Catani. Anos atrás, as duas trabalhavam juntas no […]

January 18, 2021

How to watch Sundance Film Festival 2021 movies at home

By Johnny Oleksinski January 7, 2021 | 12:00pm Just like Christmas dinner and your office’s awkward wine tasting party, Sundance is going virtual this year. That means no more schlepping a mile in the mountains of Park City, Utah, to make it to a film premiere on time. (I once collapsed in a snowbank.) No more […]

January 11, 2021

Sundance 2021: a low-key lineup announced for semi-virtual festival

Directorial debuts from Rebecca Hall and Robin Wright and documentaries about Covid-19 and wildfires to premiere at festival The 2020 Sundance film festival will be a stripped back, mostly virtual edition following in the footsteps of other festivals that have been forced to redefine themselves in the wake of the Covid-19 pandemic. The lineup, featuring 72 feature […]

December 22, 2020

Sundance-Bound Brazilian Sci-fi Thriller ‘The Pink Cloud’ Debuts First Trailer (EXCLUSIVE)

Just confirmed for the 2021 Sundance World Cinema Dramatic Competition, Brazilian Iuli Gerbase’s sci-fi thriller “The Pink Cloud” begins, like the trailer shared in exclusivity with Variety, with a young woman walking her dog, staring at dainty pink clouds encroaching the horizon. She drops dead 10 seconds later. Sirens awake Giovana and Yago, who only met […]

December 15, 2020
Back