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Almas depenadas

Por em 25 de outubro de 2010

Em Sapucaia ninguém descansa em paz, muito menos no cemitério municipal. Os ladrões entram à noite e levam todo bronze, alumínio e latão que conseguem carregar. Isso pra não falar dos fios de cobre da rede de iluminação, que, surrupiados, além de renderem um dinheirinho, ainda garantem a continuidade da…

Cabrito

Por em 17 de outubro de 2010

       Todo policial que eu conheço já fez algum serviço por fora. Alguns chamam de “fazer um cabrito”. Não sei a origem do termo. Cabrito bom pra mim é aquele assado com calma, em fogo baixo, servido com arroz, feijão e salada de batata com maionese. Pronto, já fiquei com…

Carne

Por em 11 de outubro de 2010

           O caminhão havia tombado na pista direita da BR-116, sentido interior-capital, pouco depois da entrada do zoológico. Normalmente seria um trabalho rotineiro para os policiais rodoviários – atender o motorista moribundo, fazer um desvio para o trânsito, chamar um guincho para retirar o veículo acidentado -, mas eles tinham…

Vida velha

Por em 4 de outubro de 2010

               O inspetor federal chamava-se Avelar. Era um homenzinho magro, usava óculos, tinha cabelos grisalhos e um ar cansado. Com uns sessenta anos, não devia estar fazendo aquele tipo de serviço. Mas, em vez de ficar numa sala com ar condicionado da PF em Porto Alegre, coçando as bolas e…

Um anjo

Por em 27 de setembro de 2010

  Minha casa não tem campainha. Estragou faz tempo e não senti falta. Então, se alguém quer entrar que bata na porta. Dá no mesmo, principalmente porque ninguém quer entrar. O negrão Clemenciano entrou uns dois anos atrás, era alguma coisa urgente que não lembro mais, e vi a cara…

Vinte e cinco facadas

Por em 20 de setembro de 2010

Prefiro trabalhar sozinho. Esse negócio de dupla só funciona em filme policial americano. Mas, no caso das vinte e cinco facadas, o negrão Clemenciano foi fundamental. Ele não é inspetor, nem detetive. É escrivão. Teoricamente só trabalha dentro da delegacia, registrando tudo que acontece com uma paciência bovina. De vez…

Meio madeira, meio alvenaria

Por em 13 de setembro de 2010

Olhar uma velha caquética pendurada numa forca, balançando de um lado pro outro e cheirando mal, no meio de uma sala pequena e escura, não é a melhor maneira de se começar um final de semana. O Jeferson tinha entrado na casa e visto o corpo às seis da tarde.…

O acrobata

Por em 5 de setembro de 2010

Um ou dois roubos diários numa linha de metrô que atende mais de cento e setenta mil pessoas é perfeitamente aceitável. Nenhum jornal publicaria uma linha a respeito. Nenhum político perderia seu precioso tempo fazendo discurso. Nenhum delegado poria um inspetor pra correr atrás de punguistas pés de chinelo com…

A basculante

Por em 30 de agosto de 2010

O banheiro era pequeno, sujo, fedido. Dava pra sentir o fedor quando se chegava perto da basculante. O delegado Xavier tava irritado porque, ao entrar no terreno, sujara seus sapatos novos. Eram caros, ele disse pelo rádio, comprados em Porto Alegre.Mas o barro era de Sapucaia mesmo, legítimo, meio vermelho,…