Prana Filmes

Aos mestres, com carinho

Por em 12 de agosto de 2013

Eu sou fã da Ufrgs. Não adianta. Com toda a esculhambação da Fabico na década de 70, conheci colegas ótimos, que ajudaram a ampliar meu horizonte, junto com alguns professores muito talentosos.  Admiro  professores que nasceram para ser mestres, recebem mal pelo que fazem, aguentam alunos mimados, mas seguem focados no conteúdo, estudando e ensinando permanentemente. Aprendi muito no Jornalismo, lendo livros marcantes e revolucionários.

 

Na Federal, minha filha do meio participou de um trabalho no curso de Relações Internacionais que, além de me deixar orgulhosa, me trouxe muitas informações novas, organizando velhos conceitos. Na cadeira de Relações Internacionais Contemporâneas, o doutor José Miguel Quedi Martins organizou o livro “Estudos de Caso em Política Externa e de Segurança (PES)“, da série Cadernos ISAPE. Este livro é uma compilação dos relatórios dos alunos desta disciplina sobre alguns países selecionados.

 

No prefácio, o professor José Miguel escreve algo que muitos políticos deveriam ler: “Está discriminada uma cultura de minoridade política, em que a cidadania parece ter perdido a noção de que direitos correspondem a responsabilidades”. Fala sobre a importância do exercício do dever para o bem comum, levando à maioridade política, unindo solidariedade, empreendedorismo e autonomia intelectual. 

 

Hoje vou comentar o relatório dos Estados Unidos, país que ainda dita o equilíbrio da aldeia. Os teóricos ianques acham que o equilíbrio mundial deve ser obtido por: unipolaridade norte-americana (Wohlforth), bipolaridade (Waltz) ou multipolaridade (Kissinger). Eu defendo sempre a multipolaridade, pois que equilíbrio é este com a destruição do Afeganistão e do Iraque? Eles não me iludem desde o Vietnam. Sei que devem estar loucos para destruir o Irã. 

 

Como apontam os alunos, os EUA promovem guerras morais que atordoam o adversário ininterruptamente, disseminando o caos, gerenciando a situação de acordo com seus próprios interesses. Bipolaridade com a China escravocrata, suprimindo direitos humanos? (Eu espero que não.) Considero os BRICS, que tem uma carga de multipolaridade, uma iniciativa com chances de prosperar. O livro desfila rapidamente a história dos EUA, colocando a tradição do país em sempre manter o controle dos outros países, através das políticas de buckpassing (passar para outro país a responsabilidade de estabilização de uma certa região) ou de burden-sharing (entrar com o apoio de outros países no confronto direto).

 

A dualidade norte-americana é expressa pelas Doutrina Monroe (1823) e pelo Destino Manifesto (1848). Na primeira, o objetivo é o autogoverno, cidadania e liderança pelo exemplo. No segundo, bem mais perigoso, o importante é a dominação civilizatória, levando-os a guiar o mundo pela sua excepcionalidade. Estas duas correntes se misturam, se intercambiam e se mimetizam, em meio a democratas e republicanos.

 

Outros dois momentos dolorosamente cruciais para a humanidade foram o movimento Neoliberal, com Reagan, em 70 e o Neoconservador, com Bush, em 2000. Desde a crise das hipotecas em 2007, dois novos movimentos surgiram: o Tea Party (pregando o Estado Mínimo, com baixíssima cobrança de impostos) e o Occupy (democracia direta). Os dois parecem ter influenciado as recentes turbulências brasileiras em 2013.

 

Mesmo em crise, o PIB dos EUA em 2011 foi de 14,5 trilhões de dólares, o maior do mundo, convivendo com a maior dívida pública, o maior consumo de petróleo, a maior infraestrutura e a maior rede de transportes. Em suma, tudo biggest.  E o futuro dos Estados Unidos reserva alguma surpresa? Talvez. Dados:  a população imigrante cresce mais que a população nativa. O país é o maior exportador de tecnologia verde, sendo que, no governo Obama, as energias renováveis passaram de 7% para 10%, apesar dele ter dito que primeiro vem a economia e depois a ecologia.

 

A excepcional rede de fibras óticas em todos os centros urbanos do país transmite velozmente dados, propiciando resistência a pulsos eletromagnéticos, provenientes de ataques mesmo nucleares. Esta situação permite uma imensa capacidade de reação após ataques estratégicos. Na minha opinião, uma ótima notícia: estão desenvolvendo o elevador espacial, ideia do brilhante inglês Arthur Clarke (1965). Este elevador atravessa a órbita terrestre e absorve a energia diretamente do sol, através de nanotubos de carbono, com propulsão à laser. Será que vou estar viva para ver isto tudo, ou eles vão gastar o orçamento todo em material bélico?

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